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Henry du Mont (1610-1684) |
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Henry du Mont nasceu em Looz, no então principado de Liége, mais ou menos em 1610, e o seu nome de nascença era Henry De Thier, que no dialecto local significa “do monte (thier = monte). Não se sabe nada dos seus primeiros anos de vida, mas sabe-se que em 1621 foi admitido na escola de Notre-Dame em Maastricht, onde recebeu uma sólida formação musical. Nessa catedral ele é nomeado organista no ano de 1629, e aí mantêm o cargo até 1638, apesar de o seu irmão fazer as suas vezes a partir do ano de 1632. Provavelmente, meteu estes anos a uso do seu estudo do órgão com os mestres organistas de Liége. Demite-se do cargo de organista em 1638 e voltamos a encontrar Du Mont em Paris, em 1643, como organista da importante paróquia de Saint-Paul, cargo que manteve até à sua morte. Terá sido nesta altura, quando se instalou em Paris, que o compositor “traduziu” o seu apelido de “De Thier” para “Du Mont”, e em 1647 é naturalizado francês, obtendo pouco depois o seu posto paroquial em França, a paróquia de Saint-Germain d’Aliazy, em Rouen. É com a publicação dos seus “Cantica Sacra” que o compositor obtém o seu primeiro cargo na corte, o de cravista do Duc d’Anjou, e em 1663 é nomeado sub-intendente da capela real do rei, mantendo o cargo até 1683. Morreu em 1684. Du Mont contactou na sua terra natal essencialmente com a tradição da música religiosa italiana sua contemporânea, e esta influência foi marcante para a sua música. Sobretudo, o que dela absorveu foi o uso tratamento solístico da voz, por oposição à tradição polifónica da renascença, e o uso do baixo contínuo. Em França, Du Mont aliou estas tradições musicais àquela do emergente petit-motet, que já fazia uso de pequenos efectivos vocais e de baixo-continuo, mas agora com o tratamento musical característico de Du Mont. Também a ele se atribui parcialmente a criação do “Grand-Motet”, e de facto uma grande quantidade destes motetes por ele foram compostos, embora não muitos a nós chegassem, ao contrário do que sucedeu com os seus petit-motets. Seriam ambos estes modelos que Lully tomaria mais tarde, estabelecendo ele um novo padrão de motete que serviria de exemplo até meados do século XVIII. Na música de Du Mont prevalecem tanto a expressão intimista e meditativa do petit-motet, com ao grandiosidade do grand-motet, e apesar de a sua música ainda não ter a marca claramente distinta de Versailles, é um dos modelos mais influentes da música religiosa francesa do século XVII.
Henry Du Mont: Super Flumina Babylonis. Henry Du Mont: Ave Virgo. |
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