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François Couperin (1668-1733).

 

François Couperin, sobrinho de Louis Couperin, é ao mesmo tempo o culminar da música da época de Luís XIV, e uma espécie de resumo dos estilos musicais da sua época. É o compositor dos "gôuts reunis".

Nasceu e morreu em Paris, respectivamente nos anos de 1668 e 1733, tendo desde cedo aprendido música com o seu pai. Primeiramente influenciado pela música framcesa, mais tarde entraria em contacto com a música de Corelli, que deixou uma profunda marca no compositor, marca que se expressa numa italianização da sua música.

A sua obra, apesar de fértil, não é tão variada como a de Lully ou Marin Marais, pois não compôs, por exemplo, óperas. A sua obra consiste sim, em música de câmara, música religiosa e peças para cravo. Mas, destes últimos conjuntos, aquele que teve mais impacto foi o das peças para cravo, principalmente o livro "L'art de toucher le clavecin.".

E é na escrita para cravo que reside o maior mérito de Couperin, que conseguiu fazer o instrumento soar como ninguém o havia ainda feito ou alguma vez faria. As suas "piéces de clavecin" são encantadores poemas de nomes misteriosos, que exigem uma técnica apuradíssima para serem executados, mas dando ao ouvinte uma sensação de elevação que nunca experimentara com nenhum outro autor.

Mas não se deve esquecer a música de câmara de Couperin. A sua obra mais importante neste domínio é "Les Nations", um conjunto de quatro suites para dois violinos e baixo contínuo, que em algumas versões, conta com oboés, fagotes, e flautas. Estas suites representam a forma mais trabalhada da adaptação das sonatas italianas ao gosto francês. A quatro suites são "La Française", "L'Espagnole", "L'Imperiale" e "La Piémontoise". Começam cada uma com uma "sonade" (Couperin fez questão que fossem "sonades", e não Ouvertures), e seguem-se-lhes uma suite de danças, segundo a tradição francesa.  

Da sua música religiosa, o melhor encontra-se nas "Leçons des Tenébres", um conjunto de cânticos para os ofícios das matinas. São de uma maestria no domínio do motete francês da segunda metade do séc. XVII insuperável, e de uma profundidade de sentimento religioso tocante.

Portanto, justifica-se bem lugar que Couperin ocupa na história da música como um dos mais completos e geniais compositores, e o epíteto que já no seu tempo lhe era atribuído, "François, le Grand". 

 

François Couperin: Suite para Viola da Gamba e Baixo Continuo

François Couperin: Sétimo prelúdio de L'Art de Toucher le Clavecin

 

Gravações recomendadas:

"Les Nations": Hespèrion XX, Jordi Savall, Auvidis Fontanalis.

"La Sultane", "La Superbe", e Suites para viola: Skip Sempé, Jay Bernfeld, Capriccio Stravagante, Deusche Harmonia Mundi.

"Leçons des Ténèbres": Concerto Vocale, Harmonia Mundi.

"Piéces de Clavençin": Blandine Verlet, Astrée Auvidis, sob o nome "Les Barricades Mésterieuses".

 

 

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