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Jean-Baptiste Lully (1632-1687).

Giovanni-Battista Lully era seu nome de nascença, e nasceu em Florença. Da sua infância muito pouco se sabe, mas sabemos que foi na sua cidade natal que aprendeu a tocar violino sozinho, e que aos catorze anos o Duque do Guise o levou para França onde entrou ao serviço da Grande Demoiselle como cozinheiro. Devido aos seus talentos de mimo, bailarino e de violinista, entrou para a sua orquestra e desde logo se destacou como violinista. Caiu no favor da Demoiselle, mas desgraçou-se ao compor uma canção satírica destinada à sua filha.

Em 1653, Lully entrou ao serviço de Luís XIV como musico nos "Petit Violons du Roi", tendo mais uma vez devido ás suas qualidades musicais sido elevado ao lugar de 1º Violino. A sua ascensão nesta fase, bem como no resto da sua vida, foi no entanto também baseada  na sua amizade com o rei.

Lully, no favor real, aproveitou para ascender na carreira. Sem dúvida o compositor deveria possuir uma personalidade fortíssima, regendo a sua carreira e os seus empreendimentos com mão de ferro, e uma das características da sua personalidade era o seu sentido de oportunidade que lhe garantiu um sucesso e uma glória duradoura até depois da sua morte. O que é facto é que logo nesse ano e até 1661, Lully ocupou sucessivamente os postos de "compositor instrumental do rei", "superintendente da música", e em 1662 tornou-se "mestre de música da família real".

No tempo em que Lully chegou a França, o gosto francês já se tinha desenvolvido, principalmente na figura de Louis Couperin, cujas "Piéces de Clavecin" ilustram bem este gosto, tão ao jeito de jogos de luz e sombra, numa maneira requintado e inconfundível. Ora foi neste contexto musical que o jovem musico desenvolveu o seu próprio estilo: este, por sua vez, marcaria a música ocidental dos próximos 100 anos. 

O maior contributo de Lully para a História da Música constitui-se principalmente pela criação de vários géneros musicais como a "Comédie-Ballet", em colaboração com Moliére, a "Tragédie Liryque", em colaboração com Quinault, e a criação de uma tradição de música instrumental expressa na criação da  típica "Ouverture" (que foi sucessivamente recriada pelos compositores franceses como Campra, Charpentier ou Rameau, e outros como Bach ou Haendel), ou das "Suites" instrumentais igualmente recriadas e provenientes da tradição da dança de corte francesa e do "Ballet-de-Cour".

Lully trabalhou na composição de "Ballets-de-Cour", como o "Ballet de Xerxés", e nas quais dançou, em conjunto com o rei. Em 1664, Lully iniciou a sua frutífera colaboração com o dramaturgo Moliére, criando a "Comédie-Ballet", que combinava a arte dramática do escritor com a dança e a arte musical de Lully, originando um espectáculo de inigualável beleza criativa e fausto, encontrando o seu auge em "Les Plaisirs de l'Isle Enchanteé". No seu tempo eram conhecidos como "Les Deux Baptistes".

No entanto, não podemos negar à tradição musical e teatral italiana um papel  na criação destes géneros de artes de palco: muitas personagens de Moliére e dos Ballets de Lully provêm da "Commedia dell'Arte", e a própria instrumentação das primeiras obras instrumentais de Lully sofre influência de compositores como Cavalli. 

A criação da "Tragédie-Liryque" também ela provém de uma tradição italiana: na altura, já desde Lucca Marenzio que proliferava o género Musico-Dramático em Itália, a ópera, e Luís XIV queria que fosse criado um género dramático que rivaliza-se com a Ópera Italiana.Lully, em colaboração com o dramaturgo Quinault, criaria a "Tragédie-Liryque", género dramático que combinava todas as características do "Ballet-de-Cour" com os ingredientes das recriações modernas das tragédias clássicas. 

Da sua vasta obra contam ballets, óperas, música instrumental, mas também música religiosa, em grande número.

Seria incorrecto pensar que Lully era só (embora o fosse essencialmente) um homem do palco. Na verdade, este génio era profundamente religioso, e a expressão desta religiosidade toma forma nos muitos motetes que compôs: quer nos "Grand-Motets", num estilo mais operático e pomposo, como o "Te Deum" destinados a cerimónias reais, quer nos "Petit-Motets", de expressão mais genuína e intimista. 

 

Jean-Baptiste Lully: Peça de d'Alangbert sobre um extracto de Armide

 

Gravações recomendadas:

Óperas:

- "Atys": G.de Mey, G.Laurens, A.Mellon, J.F.Gardeil, Les Arts Florissants, William Christie, France Harmonia Mundi.

- "Armide":Laurens, Crook, Collegium Vocale, La Chapelle Royale, Philippe Herreweghe.. 

- "Alceste": Alliot-lugaz, H.Crook, M.Dens, Gardeil, Gens e outros, Ensemble Vocal Sagitarius, La grande Écurie et la Chambre du Roy, Malgiore, Asrtrée Auvidis.

- "Phaëtonte": Krook, Yakar, Smith, Gens,  Ensemble Vocal Sagitarius, Les Musiciens du Louvre, Mark Minkowsky, Erato.  

- "Acis et Galatée" (Pastoral Hëroique): Denlunch, Gens, Masset, Simon, Crook, Félix, Fouchécourt, Naouri, Les Musiciens du Louvre, Marc Minkowski, Archiv.

 

Comédies-Ballets:

- "Le Burgeois Gentilhomme": La Petite Bande, Gustav Leohnardt, Deutsche Harmonia Mundi.

- "L'amour Malade" (extractos): ver em baixo.

 

Ballets:

- "Ballet d'Alcidiane et Polexandre"

- "Ballet de Xerxés"

- "Ballet des Plaisirs"

- "Ballet du Temps" (extractos)

Obras gravadas no disco "Ballet Music for the Sun King", da etiqueta Naxos.

 

Petit-Motets:

- "Omnes Gentes", "Regina Coeli", "O Sapientia", "Laudate Pueri", "Salve Regina", "Exauti Deus", "Anima Christi", "Ave Coeli", "Dixit Dominus", "O Dulcissime", "Domine Salvum": gravados por "Les Arts Florissants", pela Harmonia Mundi.

 

Grands-Motetes:

- "Te Deum": Smith, Bessac, Vanderstenne, Devos, Huttenlocher, Ensemble Vocal "A choeur joie" de Valence, Orchestre Jean-François Paillard, Jean-François Paillard

- "Dies Irae": idem.

- "Miserere": Vários, Le Concert Spirituel, Hervé Niquet.

- "Plaude Laetre Gallia": idem.

- "Quare Fremurent": idem.

- "O Lachrymae": idem.

- "De Profundis": idem.

 

   

                                                         O Rei, .Luís XIV.                    Representação de uma ópera de Lully

 

                                                                                      Primeira edição de Alceste       Figura de um Ballet

 

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