D. João V e o seu tempo (1700-1755).

O início do reinado de D. João V representa, para a vida musical do país, um renascimento. A sua mãe, austríaca, incutiu no espírito do jovem rei, desde cedo, o gosto pela música e especialmente pela ópera. Com efeito, a capela do Magnânimo viria a ser um dos maiores contributos para a musica no país, iniciando uma tradição musical que faria com que no reinado de D. Maria I a capela real fosse considerada uma das melhores, se não a melhor orquestra da Europa.

Uma vez no trono, D. João V ambicionou fazer da sua corte um centro artístico resplandecente ,ao modelo de Luís XIV, e a sua corte foi considerada, talvez a par com a corte francesa, como a mais luxuosa da Europa. Assim, começa a fervilhar uma actividade musical imensa, com musica para as cerimónias reais (surgem os primeiros "Te Deum" para orquestra e coro) e a música instrumental expande-se de uma forma admirável. Com efeito, na década de 1730, já são frequentes as representações operáticas, não só as resultantes das colaborações de José António da Silva e António Teixeira, mas também de óperas "sérias" feitas por autores italianos que por Portugal passavam. Também prolifera a musica instrumental de câmara: a sonata para cravo toma em Portugal uma forma especial com Carlos Seixas,  Domenico Scarlatti foi durante algum tempo mestre de capela das infantas, e chegou mesmo a considerar Carlos Seixas como o " (...) maior professor que já conheci! (...)". Mas ainda havia uma larga produção de cantatas, algumas peças orquestrais, e Carlos Seixas chegou a produzir concertos para cravo, apesar de noticias de tais composições estrangeiras nunca, provavelmente, tivessem chegado a Portugal, para além da única abertura "à francesa" da península ibérica.

Um dos grandes investimentos que o Magnânimo fez para a vida musical do país foi enviar para Roma bolseiros da coroa, que lá fariam uma aprendizagem das mais actualizadas formas musicais Italianas do tempo, e entre estes bolseiros conta-se, por exemplo, Francisco António de Almeida, cujas obras, em qualidade, rivalizam com as de Häendel ou Pergolese.

Infelizmente, uma grande parte da música deste tempo não subsistiu até aos nossos dias, devido principalmente ao terramoto de 1755, que destruiu preciosas bibliotecas que continham os valiosos manuscritos musicais, que hoje em dia fariam o prazer de qualquer ouvinte.

 

                                                            

            Cerimónia na Corte de D.João V                                                                              D.João V

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