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Marc-Antoine Charpentier (1643-1704).

 

Marc-Antoine Charpentier é talvez aquele compositor barroco do qual uma obra é mais conhecida: é autor do famoso hino da Eurovisão, que é o prelúdio do seu "Te Deum". Sem dúvida, do barroco francês do séc. XVII, é o compositor mais importante depois de Lully, apesar de depois a morte deste ter permanecido ainda sob a sua sombra. Nascido em Paris no ano de 1643, adquiriu a sua formação musical superior em Roma até 1670.

Vindo de Itália, em Paris empregou-se ao serviço da Madame du Guise, que o teve ao seu serviço até 1688. Também serviu o Delfim como seu compositor de capela desde 1670, até meados da década de 1680. Em 1683, concorreu ao posto de mestre da capela de Luís XIV, foi apurado na primeira selecção, mas por motivos ainda desconhecidos (muito provavelmente doença) não compareceu à segunda audição, e não obteve o cargo. No entanto, depois de ter deixado de prestar serviço ao Delfim, obteve o cargo de director musical da importante igreja jesuíta de Saint-Louis, cargo que exerceu até à década de 1690. Finalmente, foi nomeado como mestre de música da Saint-Chapelle, em 1698, cargo que exerceria até ao fim da sua vida.

Como obteve a sua formação em Itália, quando em França as suas primeiras obras possuem um estilo francês, poderoso, galante, majestoso, mas com uma frescura e sedutor encanto típicos da música italiana. Tal reflecte-se em obras como "Amor vinci ogni cosa", uma pastoral cantada em italiano: nela encontramos as tão francesas "air-de-cour"  com uma cadência e tratamento melódico bastante semelhante com a que é dada à música italiana.

A sua obra é maioritariamente religiosa, mas compôs absolutas obras-primas no domínio lírico. Neste âmbito, criou musicas de cena para peças de teatro, como as partituras para "Le mariage forcé", "Les fous divertissants" ou "Le malade imaginaire", ou tragédias líricas como "David et Jonathas" e a sua obra mestre: "Médeé".

"Médée" ocupa no séc. XVII um importantíssimo lugar, pois representa a mais bem sucedida tentativa de ruptura com a tradição musical de Lully no domínio da "Tagédie Liryque", uma vez que este havia obtido o monopólio das produções do género até à sua morte, e depois deste mais nenhum compositor conseguira criar uma ópera com sucesso igual às de Lully. A música desta criação de Charpentier é absolutamente incrível: possui o encanto, a grandeza e subtileza de uma "Atys", a originalidade melódica e de formas tão próprias a Charpentier, e um poder de expressão muito pouco usual, patente particularmente no monólogo de Medeia no primeiro acto,  e na celebração dos seus feitiços. O espírito inovador desta obra é fortíssimo de tal modo que Monsieur, irmão do rei, declarou que a sua música era "demasiado difícil".

Mas tal como já foi referido, a obra de Charpentier é em grande parte religiosa, e neste âmbito compôs obras-primas como o "Te Deum" de 1697, que presta o seu prelúdio à Eurovisão, os "Offices des Tenébres", o "Miserere", ou a "Messe de Minuit". Esta última prima por os seus temas serem todos canções populares de Natal da época, com um subtil e hábil tratamento instrumental e harmónico.

Por todas estas capacidades musicais, a Charpentier foi consagrada uma alta estima como compositor, e apesar de nunca ter tido um sucesso semelhante ao de Lully. A sua missão como inovador da música francesa foi inteiramente cumprida, e o seu nome figura como um dos maiores compositores franceses de sempre.

 

Marc-Antoine Charpentier: Domine Salvum fac Regem

 

Gravações recomendadas:

-"Te Deum": Les musiciens du Louvre, Marc Minkowski, Archiv.

-"Messe de Minuit"- Les musiciens du Louvre, Marc Minkowski, Arhiv.

-"Office des Tenébres": Le Parliement de Musique, Martin Gester, Opus 111.

- "Miserere": Le Perliement de Musique, Martin Gester, Opus 111.

- "Médée": Hunt, Padmore, Deletré, Zanetti, Salzmann, Les Arts Florissants, William Christie, Erato. (Excepcional e inigualável preformance da protagonista).

-"David e Jonathas": Zanetti, Lesne, Gardeil, Visse, Fouchécourt, Les Arts Florissants, Christie, Harmonia Mundi.

-"Le malade imaginaire": Les Arts Florissantes, William Christie, Harmonia Mundi France.

 

 

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