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 Carlos Seixas (1704-1742).

 

Este compositor, nascido em Coimbra, marca sem dúvida a música portuguesa da primeira metade do séc. XVIII, e as suas criações destacam-se pela sua elegância, inventividade, energia, e um apurado sentido estético. Tendo adquirido a sua  formação musical com o seu pai, à morte deste, por volta dos seus catorze a dezasseis anos de idade, ocupou de imediato o seu cargo como organista da Sé de Coimbra, ganhando o mesmo salário que seu pai.

Por volta dos vinte anos de idade veio para Lisboa, onde arranjou posto como professor de cravo de famílias nobres da Corte, e rapidamente fez nome no meio musical lisboeta. Foi mais tarde nomeado vice-mestre da Capela Real, e no âmbito desta posição compôs belíssimas obras de música sacra, entre as quais se contam o "Ardebat Vicentius", para a festa de S. Vicente, a Missa em Sol, e um "Te Deum" para duplo coro e orquestra, entretanto desaparecido muito provavelmente com o terramoto de 1755, tal como a maioria da sua obra. Desta constam ainda cerca de 700 sonatas para instrumento de tecla (umas para cravo e outras para órgão), das quais restam cerca de cem, um concerto para cravo, uma sinfonia em Si, uma abertura em Ré, e um outro concerto para cravo que lhe é atribuído.

É de notar que na música ibérica Carlos Seixas é único, e tal reflecte-se na sua obra: é incrível como um musico que se formou numa cidade de província, ainda que com grande talento, tenha criado obras como a abertura e outras como os concertos: em terras lusas é difícil crer que chegassem noticias dos concertos para cravo de Bach ou Haendel, sendo que até a maior parte dos concertos destes sejam ulteriores ao de Seixas. No entanto o compositor criou obras de inigualável graça e elegância. Já quanto à abertura, ao estilo francês, é o único exemplo do género na Península Ibérica e iguala em rigor formal, instrumentação, e grandeur, as aberturas de um Haendel ou um Telemann. Decerto, o compositor conhecia as composições do género criadas por Campra, Lully ou Rameau.

 

 

Discografia recomendada:

- Keitil Haugsand; Norwegian Baroque Orchestra; Concerto para cravo em Lá, Sinfonia em Si bemol, Sonatas para cravo; VirginVeritas.

- Keitil Haugsand; Norwegian Baroque Orchestra; Missa, Dixit Dominus, Tantum Ergo, Sonatas para Órgão; VirginVeritas.

- János Sebestyén; János Rolla; Orquestra de Câmara Ferenc List; Concerto para cravo em Lá, Sinfonia em Si bemol, Abertura em Ré, Concerto em Sol (atribuído); Strauss/PortugalSom.

- Rui Paiva; 12 Sonatas para cravo; Philips. 

 

 

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